Goiânia, GO — Desde 2021
Complexo artístico-cultural enraizado nos fundamentos civilizatórios afro-brasileiros e indígenas. Um quilombo contemporâneo: espaço de criação, ensino-aprendizagem, pertencimento e resistência.
O que é
Fundado em 2021, o Sertão Negro amplia as noções do que é ser um ateliê ou uma escola. Arte, educação, meio ambiente e comunidade se articulam em um espaço que tem como missão central a promoção de dignidade, bem-viver em comunidade e autonomia de fazeres e saberes, promovendo assim diversos objetivos de desenvolvimento sustentável.
"O Sertão Negro é um espaço de desenvolvimento tanto para arte quanto para a vida, sendo fervedouro de sementes, poesia e novas perspectivas de prosperidade para o mundo."
— Dalton Paula, presidente-fundadorLocalizado no Bairro Shangrilá, Região Norte de Goiânia/GO, o complexo atua como ponte entre saberes ancestrais afro-brasileiros e indígenas e a produção contemporânea nacional e internacional. O Sertão Negro se constrói a partir de uma lógica de sustentabilidade ambiental, tendo como pilares a bioconstrução e a agroecologia.
Estrutura
Programa de residência artística nacional e internacional no Quilombo Kalunga. Exposições e Ateliês Abertos.
Capoeira angola, cerâmica, gravura, cursos online de história da arte afro-diaspórica, cursos livres, programas públicos e parcerias institucionais.
Sertão Verde: horta agroecológica, banco de sementes, bioconstrução e gestão hídrica. Sertão Vermelho: piscicultura em sistema RAS.
Intervenções urbanas, educação ambiental, visitas mediadas, enfrentamento ao racismo ambiental e projeto de autonomia artística da Associação Jatobá Nascente.
Reconhecimento
Em menos de cinco anos de atuação, o Sertão Negro acumulou reconhecimento expressivo no circuito de arte contemporânea nacional e internacional.
Projeto Socioambiental
O Sertão Verde atua no enfrentamento ao racismo ambiental e em ações de adaptação e mitigação às mudanças climáticas. Promove saberes afro-brasileiros e indígenas na agricultura por meio de vivências, pesquisa e formação.
Horta-escola agroecológica
Desde dezembro de 2023, a horta já colheu aproximadamente 1 tonelada de alimentos destinados à cozinha da escola. São cultivadas verduras, tubérculos, legumes, PANCs, ervas medicinais e frutas em sistema agroecológico.
Banco de Sementes Crioulas
Em 2024, aproximadamente 130 espécies da sociobiodiversidade foram catalogadas: feijões, favas, milhos, flores e árvores do Cerrado. O banco abriga e multiplica sementes da etnobotânica afro-brasileira e indígena, visando a soberania e segurança alimentar.
Gestão de Recursos Hídricos
Três reservatórios subterrâneos armazenam a água das chuvas (106 mil litros no total), reutilizada na irrigação e sanitários. O sistema trata águas cinzas e esgoto por meio de bacia de evapotranspiração.
Projeto de Piscicultura
Com foco na soberania alimentar, o Sertão Vermelho é destinado à produção de proteína em tanques elevados, com foco em sustentabilidade e segurança alimentar.
Sistema utilizado
RAS — Recirculating Aquaculture System
Filtros microbiológicos com bactérias e plantas garantem o tratamento da água dos tanques, com reuso de 70%. A folhagem transforma amônia em nitrato, e a água fertiliza e irriga a horta do Sertão Verde.
Criação de Tilápia
Em área de aproximadamente 120m², a produção de tilápias respeita o meio ambiente: sem remoção do solo, uso de pequenas áreas para grandes produções e sem desmatamento. A previsão é produzir bimestralmente cerca de 700kg de proteína destinada à cozinha do Sertão Negro.
Dimensão Educativa
Para além do consumo, os processos e práticas de manejo integram uma proposta formativa que aborda conteúdos de biologia e química, preservação dos recursos naturais e produção de alimentos. O projeto visa a formação de futuros piscicultores.
Por que tilápia?
De origem africana, a tilápia tem carne macia e saborosa, baixas calorias e poucos espinhos. Fácil adaptabilidade, resistência a doenças e alta capacidade reprodutiva a tornam ideal para o projeto.
Espaços do complexo
Sertão Amarelo
Espaço ocupado pela Biblioteca Rosana Paulino, Lojinha Sertão Negro e escritórios administrativos. Destinado a lançamentos de livros, clube do livro, rodas de conversa, formações internas e empréstimos à comunidade — além de abrigar a loja da instituição.
Sertão Colorido
Espaço dedicado às práticas de corporeidade: cerâmica, tambores, dança afro, capoeira angola e o Coral e Banda Marcial do Sertão Negro.
Jatobá Nascente
Projeto pioneiro onde seis artistas foram convidados a criar propostas que visam autonomia financeira, desenvolvimento artístico e comprometimento socioambiental, por meio da construção de um ateliê coletivo e residências individuais.
Programa imersivo
A Residência Artística Sertão Negro conecta artistas com o território, as comunidades quilombolas e o cerrado goiano, com foco na experimentação artística, oralidade ancestral e potencialização de consciência ambiental.
Busca estimular a experimentação de processos artísticos imersivos, permitindo aos artistas desenvolver projetos em resposta a novas vivências no quilombo, a partir dos recursos e especificidades do território. A residência possui três modalidades — Local, Nacional e Internacional — e ao final de cada ciclo os residentes apresentam um Ateliê Aberto dos processos desenvolvidos.
O contato direto com o território, sua história, modos e saberes de vida, proporcionou um aprofundamento nas minhas discussões sobre identidade, memória e pertencimento, extrapolando o espaço do ateliê, colocando o corpo em diálogo com a geografia, a cultura e as práticas comunitárias do quilombo.
— Abiniel Nascimento, artista residente — edição 2025
Programa de Apoio — Grupo Fundador 2026
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